O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Saiamos da caverna.

Posted by Paulo em 19/10/2009

Um dos grandes filósofos da humanidade, o grego Platão, contou em a “República”, um de seus vários livros, o “Mito da Caverna” para descrever o processor de “despertar” do ser humano comum para o filósofo. O mito é mais ou menos assim:

O mito da cavernaPlatão compara o mundo (e essa comparação é bem atual, como se poderá constatar) a uma caverna, onde todos os seres humanos estão acorrentados, sentados de costas para a entrada e de frente para uma grande parede no fundo. A luz que penetra pela entrada é muito pequena, de forma que muito pouco dela chega ao interior da caverna. Atrás dos “condenados”, algumas pessoas acenderam uma fogueira e ficam passando e fazendo sombras no fundo da parede. Essas pessoas, que também estão de costas para a entrada, tem o poder de projetar as sombras e pedir a opinião dos que estão acorrentados a respeito dessas sombras. De vez em quando, alguns dos acorrentados consegue se libertar das correntes mas, ainda assim, apenas ocupa um lugar entre a fogueira e o povo acorrentado, tornando-se um dos produtores de sombras. Platão conta que, de vez em quando, alguém começa a questionar as sombras e quem as produz. Estes são rapidamente calados, denegridos ou mortos, para que o status quo não seja alterado. Entretanto, alguns desses que começam a questionar, “contaminam” os que estão à sua volta e, de repente, ousam olhar para trás para ver quem, ou o quê, produz as sombras. Ao fazer isso, começam a perceber que tudo não passa de uma grande armação, mas, alguns conseguem mais: conseguem perceber que, atrás dos que manipulam as opiniões dos condenados, existe uma tênue luz que vem da entrada da caverna. Essa luz encanta e o faz tentar alcançá-la, então, com muita dificuldade e lentidão, ele se liberta das correntes e começa a escalar a caverna, em direção à entrada, muvido pela curiosidade e pelo desejo de saber o que tem lá. Ele também é bombardeado por críticas e insultos dos seus companheiros e dos fazedores de sombras, que tentam forçá-lo a retornar ao seu lugar. mas sua curiosidade é forte e ele continua sua escalada, passando pela posição dos fazedores de sombras, passando pela fogueira e seguindo em frente. A escalada tem de ser vagarosa para que sua vista acostume com a claridade externa. Ele também se vê, por vezes, tomado pelo cansaço e por dúvidas, questionando se vale a pena tanto esforço e sacrifício para ver o que tem lá fora. Nesse momento, ele encontra outros que já fizeram o mesmo caminho e estão mais à frente do que ele, e estes o ajudam a prosseguir. Ele pŕoprio também começa a ajudar outros que vêm atrás dele e têm as mesmas dificuldades. Quando, finalmente consegue chegar ao exterior da caverna e vê o universo que existe fora dela, ele é tomado pela difícil decisão de lançar-se ao mundo e conhecê-lo, ou retornar à caverna e transmitir a novidade aos seus companheiros que ainda estão lá dentro. Alguns não retornam, mas outros, fazem questão de retornar e espalhar a notícia. Estes são perseguidos e injustiçados, mas nunca desistem da sua missão.

Vejo muitas semelhanças entre o processo de despertar do filósofo descrito por Platão e o processo de “despertar” do neófito em software livre. A grande maioria dos utilizadores de software livre, um dia utilizou software proprietário, de alguma forma. O “despertar” dessa pessoa começou quando começou a se perguntar se haveria uma maneira de não ser submisso aos grandes interesses econômicos que dominam o software proprietário. Então começou a procura por softwares que poderiam fazer a mesma coisa que os softwares proprietários faziam por ele. Com frequência, a impressão era a de que existia, mas ainda ficava a sensação de que faltava algo. Então a libertação foi se dando aos poucos: um navegador livre ali, um editor de texto livre acolá e, de repente, a corrente se quebra e o nosso herói adota o GNU/Linux. Junto com isso vem uma enxurrada de críticas e pressões de colegas, amigos, professores, pais, irmãos, etc., dizendo que ele é louco e que não vai dar certo. Da mesma forma que o filósofo, ele tenta mostrar aos outros que há uma luz na entrada da caverna, ou seja, uma maneira de ser mais livre e menos dominado pelos interesses econômicos de pessoas que ele sequer conhecem, mas é inútil. Ele é rotulado de “radical”, “xiita”, “chato”, etc. Nesse momento também começam as dificuldades: hardware proprietário que não funciona direito, dificuldade de aprendizado, porque trata-se de uma nova forma de aprender: ao invés de receber a informação mastigada pra decorar, ele precisa pesquisar e aprender sozinho. Aí aparecem os “mais adiantados”, que estão nos fóruns, blogs e demais fontes de pesquisa que o ajudam a escalar a encosta da caverna, em direção a um mundo novo. No caminho, ele aprende e, quando menos espera, está ajudando aos que vieram depois dele.

Bom, o que acontece quando se chega à porta da caverna? Essa é uma pergunta que eu ainda não tenho a resposta porque eu ainda não cheguei lá. Entretanto, podemos ter uma boa ideia, pois conhecemos gente que chegou lá, como Richard Stallman, John “Maddog” Hall, e outros. Estes retornaram para nos mostrar o que tem lá fora e para manter viva a nossa curiosidade.

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