O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Microsoft SOL… Cuidado!

Posted by Paulo em 20/10/2009

Crimes digitais

A Microsoft acaba de lançar o Microsoft SOL. Trata-se, segundo o site, de um programa cujo objetivo é “ajudar no desenvolvimento e na expansão acelerada das pequenas empresas de software no Brasil”. O site também promete: “garantimos aos empresários vantagens competitivas únicas para que alcancem destaque e credibilidade no mercado de TI”.

Pelo programa, uma pequena empresa pode ter por um “preço simbólico”, até 25 licenças de uma lista de cerca de 200 softwares liberados para o programa. Na lista constam aplicativos como Access 2.0, Office 95, Windows 3.1, Windows 3.11, MS-DOS, Windows NT 3.5, entre outras “perolas”. Mas também tem coisas mais atuais como Windows 7, Windows Server 2008 R2, SQL Server 2008, entre outros. O programa dá direito a um super suporte (dois contatos por e-mail).

O requisitos para participar são: possuir pessoa jurídica há menos de três anos e ter um faturamento anual abaixo de R$ 1,2 milhão. Sua empresa “recebe ajuda” do Microsoft SOL por 3 anos (com renovação anual), mas (sempre tem um mas…) paga uma taxa de US$100,00 quando sair do programa.

Parece ótimo, se não fosse por alguns pequenos detalhes:

  1. A validade das licenças não é eterna, ou seja, você vai começar a trabalhar com um custo baixo mas, daqui a alguns anos, terá de pagar pelas licenças que a Microsoft, tão generosamente, forneceu a um preço “simbólico”.
  2. Sua empresa ficará amarrada à Microsoft, mesmo depois do tempo do programa, já que a tendência é haver uma acomodação da empresa com as ferramentas por causa do custo inicial baixo. A pancada será sentida somente daqui alguns anos.
  3. A medida da Microsoft é tentar ganhar mercado nas micro e pequenas empresas agora, para poder recuperar o investimento no futuro, quando elas crescerem. O prazo para esse crescimento é de três anos. Caso isso não ocorra, sua empresa estará com uma batata quente nas mãos, já que terá de pagar pelas licenças pois estará atada tecnologicamente.
  4. É cada vez maior a presença de tecnologias livres e regidas por padrões internacionais no mercado. Sabidamente, a Microsoft não segue esses padrões internacionais, preferindo ela mesma ditar seus “padrões” ao mercado. Apostar em tecnologias que não seguem padrões internacionalmente estabelecidos, como normas ABNT/ISO/IEC é uma aposta arriscada para micro e pequenas empresas, ainda mais quando o mercado é globalizado.
  5. Não há na lista nenhuma ferramenta de segurança, ou seja, sua empresa não terá custos imediatos com softwares de desenvolvimento, mas terá com softwares de segurança, se quiser que suas tecnologias estejam seguras.

Portanto, minha recomendação é: use com muita parcimônia. Se você gostaria de ver sua empresa desenvolvendo em plataformas Microsoft, tenha um plano B na manga, caso as coisas não corram da maneira esperada, porque nessa “parceria”, você é o elo mais fraco, e grandes empresas nunca jogam para perder.

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4 Respostas to “Microsoft SOL… Cuidado!”

  1. Para mim é uma grande ideia da Microsoft, e fornecer tecnologias inovadoras como Visual Studio, SQL Server e outros por um preço simbólico no início com certeza dará grandes vantagens a quem está começando. Agora se a empresa fica dependente de uma tecnologia e presa a um fornecedor, e falta de visão de quem administra e não dos fornecedores que por natureza tenta tornar seus clientes os mais “fiéis possível”.

    • Paulo said

      Minha avó costumava dizer: “Uns gostam dos olhos, outros da remela…” Ela estava coberta de razão.

  2. Rodrigo said

    Cara, acredito que a Microsoft faça isso. Caso não tenha conhecimento, a plataforma DotNet é gratuita e não é necessaria a utilização do Visual Studio para o desenvolvimento. Com relação a outras ferramentas, não tem sistema algum que se compare ao Office. O StarOffice é horrível e extremamente bugado, o windows é um eterno beta, mas o Linux também não deixa de ser, ainda mais por estar aberto a pessoas que não tem conhecimento para alterar seu kernel e criar ferramentas (existem profissionais muito bons, não estou generalizando).
    Não é verdade que a Microsoft não segue padrões, veja o C# por exemplo, agora veja ferramentas free como o Firefox, eterno beta também e totalmente bugado. A Microsoft e a Apple são as empresas que mais oferecem inovações tecnologias no mundo. Não adianta ter liberdade sem segurança e, infelizmente, o software livre não da isso. Um Linux só não tem tantas vulnerabilidades descobertas porque praticamente ninguém usa. Sou usuário de software livre TAMBÉM, mas não sigo isso como uma religião. Existem softwares privados muito melhores que freewares, e vice versa. Um exemplo é o que citei anteriormente que, comparar um star office ou um open office com o microsoft office chega a ser covardia, pois o ms office é extremamente superior. Comparar a facilidade de um windows para uma estação com um linux, que não tem nada amigável e, quanto mais tentar deixar amigável mais pesado fica, também não tem comparação.
    Sou administrador de redes e analista de segurança da informação no citibank, administro de redes windows a freebsd.

    • stellarium said

      Vamos por partes:
      “…plataforma DotNet é gratuita…” – Ser gratuito não significa ser livre. O conceito de software livre é muito além disso. Trata-se de conceder ao cliente o que ele sempre deveria ter por direito: acesso ao código fonte, para que ele ou alguém que ele pudesse pagar altere o software quando e da maneira que ele achar que deve, e possa distribuí-lo quando e para quem ele achar que deve. Nenhum dos programas Microsoft de que você falou tem essas caracterísiticas.
      “O StarOffice é horrível e extremamente bugado, o windows é um eterno beta, mas o Linux também não deixa de ser, ainda mais por estar aberto a pessoas que não tem conhecimento para alterar seu kernel e criar ferramentas…” – Não sei do Staroffice porque não uso, mas dou graças a Deus pelo Linux ser um eterno beta. Significa que está sempre sendo aperfeiçoado. Já não posso dizer o mesmo de nenhum programa da Microsoft: todos são eternos betas porque todos estão sempre com os mesmos problemas. Nada do que tem no kernel do Linux é feito por profissionais inexperientes. Tudo o que é implementado no kernel passa pelo aval de Linus Torvalds e da Fundação Linux, presidida por John “Maddog” Hall. Entretanto, qualquer um que queira pode modificá-lo e distribuí-lo, mas daí dizer que essa modificação vai entrar no kernel oficial tem uma distância muito grande. O kernel passa a ser personalizado para as suas necessidades, o que é inviável para o Windows porque o interessado não tem acesso ao código e não pode personalizá-lo.
      “Não é verdade que a Microsoft não segue padrões, veja o C# por exemplo, agora veja ferramentas free como o Firefox, eterno beta também e totalmente bugado.” – É verdade **SIM** que a Microsoft não segue padrões. Ela prefere impô-los aos seus clientes. Me aponte, então, qual a norma internacional em que o PPT, o DOC e XLS se enquadram. Me explique porque os softwares que estão conformes a norma do padrão ODF não abrem satisfatóriamente documentos DOCX, XLSX, PPTX? A resposta é óbvia: são padrões de documentos fechados e, como você diz, totalmente “bugados”. Caso não fossem não teriam problemas de segurança. Quanto ao Firefox, se você é realmente um profissional da área de segurança TI, então sugiro que esteja mais atualizado com os fatos. Se você se refere a uma reportagem que diz que o Firefox teve mais bugs que o IE em 2008 (112 contra 31), então deveria avaliar melhor o conteúdo da reportagem: Se teve mais bugs encontrados, é porque teve mais gente procurando, encontrando e corrigindo esses bugs. A mesma reportagem diz que o IE teve menos bugs **encontrados** e que o tempo de resposta na correção desses bugs foi maior para o IE e menor para o FF. Outra coisa que a reportagem aponta é que número de bugs das extensões foi apenas 1 no Firefox, enquanto o ActiveX teve 366 falhas de segurança, 54 para o Java, 16 no Flash e 30 no Quicktime. Portanto, sua informação de que o Firefox tem mais bugs do que o IE está incorreta, e você pode ver os dados aqui: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032009/05032009-42.shl
      “A Microsoft e a Apple são as empresas que mais oferecem inovações tecnologias no mundo.” – Essa é nova pra mim. De onde você tirou isso? Me diga qual “inovação tecnológica” da Microsoft nos últimos 10 anos e eu te mostro de onde ela veio e de quem ela foi copiada. Não estou dizendo que a Microsoft e a Apple não tenham contribuido com “inovações”, mas daí a dizer que ambas são “as que mais oferecem inovações tecnológicas no mundo”, tem uma distância bem grande.
      “Não adianta ter liberdade sem segurança e, infelizmente, o software livre não da isso.” – Essa é uma afirmação totalmente infundada e começo a achar que você não é muito experiente no assunto “segurança de informação”. 85% dos servidores da internet são baseados em Linux. 90% dos supercomputadores do mundo usam Linux. Inúmeros “gadgets” e dispositivos dedicados rodam Linux, justamente pela caracterísca de se poder alterá-lo para se adequar ao hardware. Quando se lê notícias sobre sites invadidos e desfigurados, a maior parte deles é de servidores web baseados em Windows server. Quando não são, as estações da rede utilizadas para gerenciar os servidores Linux, são estações Windows. A bolsa de valores de Londres tinha um sistema Linux e migrou para Windows Server no início dessa década devido a conchavos da Microsoft com a sua diretoria. Resultado: o sistema foi invadido, a bolsa ficou mais de um dia sem poder operar e a perda de dados causou prejuízos enormes. Estão voltando ao Linux agora e abandonando o Windows. Veja bem: não estou falando de um banquinho ou uma instituiçãozinha qualquer: é a segunda maior bolsa de valores do mundo. São raríssimos os casos de invasão em sistemas Linux, tão raros que chega a ser uma daquelas coisas que todo administrador de rede sério gostaria de ver. Eu uso Linux desde 1998 e *só* uso Linux desde 2004 e te digo: Eu nunca vi um vírus de Linux. É uma dessas coisas que a gente ouve falar que existe, mas ninguém nunca viu, como fadas, gnomos, papai noel e coelhinho da páscoa.
      “Um Linux só não tem tantas vulnerabilidades descobertas porque praticamente ninguém usa.” – Outra opinião infundada e fruto de “ouvi dizer na internet”. A arquitetura do Linux com relação à segurança é totalmente diferente, e melhor, do que o Windows e, por isso, é difícil invadi-lo. Se 85% dos servidores de internet são Linux, dizer que o sistema é uma minoria e por isso não sofre ataques é, no mínimo, um contrasenso. A verdade é que crackers não criam virus para sistemas Linux porque é muito mais difícil torná-lo eficaz. O estrago seria tão pequeno e facilmente resolvido, que não vale a pena. Além disso tem a questão do rastreamento: o sistema, por si só, gera os logs de segurança protegidos. Para acessá-los e adulterá-los, o invasor teria de obter a senha de root, o que é bastante difícil se o usuário da máquina não souber, já que isso não é necessário. Me diga, no Windows, onde você tem ferramentas de rastreamento facilmente acessíveis? Isso é ser “amigável”? Me diga como fazer para que o sistema não seja adulterado e corrompido mesmo sem ter acesso às senhas de administrador.
      “Sou usuário de software livre TAMBÉM, mas não sigo isso como uma religião.” – Eu sou usuário de software livre **SÓ** há mais de 5 anos. E também não considero o SL uma religião. Mas que é muito melhor do que o proprietário, isso é inquestionável, e desafio qualquer um a provar o contrário, com dados e fatos, não com opiniões e paixões.
      “Um exemplo é o que citei anteriormente que, comparar um star office ou um open office com o microsoft office chega a ser covardia, pois o ms office é extremamente superior.” – Embora o conceito de “superior” seja questionável, posso até concordar que o MSOffice tenha funções não disponíveis nos softwares como o Open Office. Mais uma prova de que a Microsoft não segue padrões e prefere ditá-los. No entanto, a imensa maioria das funções que, supostamente, tornam o MSOffice superior, não são utilizadas pela maioria dos usuários. Um exemplo é o Office 2008 que precisa de um servidor Share Point para rodar grande parte dessas funções. Me diga quem tem um servidor share point em casa para fazer uso delas?
      Ah, sim! Tem as tabelas dinâmicas, né? Mais um problema de padrão. :-S
      “Comparar a facilidade de um windows para uma estação com um linux, que não tem nada amigável e, quanto mais tentar deixar amigável mais pesado fica, também não tem comparação.” – O que você identifica como “amigável”? O Windows é o único sistema operacional do mundo onde o usuário tem de clicar em “Iniciar” para encerrar a sessão e desligar o computador. Quando uma pessoa me diz que o Linux não é “amigável”, mostro a ele outras interfaces gráficas (Gnome, KDE, XFCE, entre muitas outras) até que ele escolha a que sirva melhor para ele. Mais uma vantagem do Linux. O Linux deteta todo, ou quase todo o meu hardware automaticamente, enquanto que no Windows tenho de instalar drivers. Quando termino a instalação do Linux, em mais ou menos uma hora, minha máquina está pronta para uso, com todos os programas que uma máquina básica precisa. No Windows tenho de instalar dezenas de programas adicionais e atualizações de segurança para colocá-lo para em condições de uso, leva-se muito mais do que uma hora para fazer tudo isso. Os programas suplementares que preciso no Linux estão todos disponíveis no mesmo lugar, os repositórios de software, e posso escolhê-los numa lista, disponível para mim mesmo que eu esteja desconectado da internet, e instalá-los (assim que me conectar) com meia dúzia de clicks, gratuitamente. No Windows tenho de adivinhar o programa, procurar um site de download, rezar para que não tenha vírus, ler e concordar com a EULA, pagar (se for o caso), instalar, rezar para que não tenha bugs. Quando qualquer dos meus programas do Linux tem bugs, informo por e-mail ao desenvolvedor e logo me aparece uma atualização automática com a correção. Me diga se você consegue fazer isso com a Microsoft! A Microsoft consegue demorar até sete anos para corrigir bugs conhecidos, enquanto isso, o usuário que se proteja da melhor maneira que puder, pagando por softwares “acessórios”, já que ela não se responsabiliza por qualquer dano que o produto dela possa causar a ele. O meu Linux não tem antivirus e os vírus de Windows não rodam nele. Eu não tenho o menor medo de ter minha máquina sequestrada por crackers e usada como zumbi para envio de spams pelo planeta, isso se não atacar outros sistemas vulneráveis (Windows, é claro). Também posso conectá-lo a qualquer rede wireless aberta sem o menor receio de tê-lo invadido. Quanto ao Windows, demora em média 47 segundos para ser invadido, se for colocado num acesso à internet aberto, ou num ADSL residencial, por exemplo……… :-S
      Quanto a questão de ser “pesado”, imagino que você não saiba do que está falando porque, ao contrário do Windows que exige muito hardware para funcionar, o Linux funciona bem, mesmo com ambiente gráfico, em máquinas com hardware bem mais modesto, logo, sua opinião também é infundada. Sugiro que você veja as reportagens que saíram anteontem no IDG Now! e na PCWorld sobre os desafios da Microsoft com o Windows 7. Os netbooks saíam inicialmente com Linux porque o Windows não rodava ou tinha problemas sérios de desempenho em máquinas mais modestas. Meu netbook veio com Windows XP que só não retirei porque paguei por ele, mas ocupa uma partição de 10 GB num HD de 160 GB. Meu Windows leva mais um minuto para carregar e ficar pronto para uso. Meu Linux, com toda a carga de programas que coloquei nele, leva cerca de 40 segundos. Logo, por mais “pesado” que o Linux fique, nunca será um “comedor de hardware” como o Windows.
      “Sou administrador de redes e analista de segurança da informação no citibank, administro de redes windows a freebsd.” – Sugiro que você se atualize e aprenda mais sobre redes, segurança e sistemas operacionais. Leia a reportagem com CEO da Trend Micro, e você verá que muitas das “soluções de segurança” vendidas por empresas “segurança” por aí, são meros paliativos e completamente ineficazes. Veja, também, o teste da ZDNet Austrália, que apresentou um Linux com ambiente gráfico KDE4, numa máquina para algumas pessoas testarem nas ruas de Sydnei, dizendo que se tratava do “novo Windows 7”: ninguém reclamou da tão falada “usabilidade”, inclusive dizendo que gostaram muito da mudança na interface. Veja, ainda, o teste que o site Olhar Digital fez com duas crianças de 9 e 10 anos de idade, que sempre usaram Linux, e que tiveram dificuldades para usar o Windows.

      Informe-se, e depois, de posse de dados mais consistentes, fique à vontade para voltar a debater sobre o assunto aqui.

      Abraço.

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