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Discussões sobre Software Livre e Sociedade

A área cinzenta do ODF

Posted by Paulo em 22/10/2009

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Enquanto nas listas de discussão, fóruns e comunidades das redes de relacionamento ainda se discute apaixonadamente questões como “quem é melhor, Linux ou Windows”, nos grandes organismos internacionais verdadeiras batalhas para definir o que eu, você e o resto dos pobres mortais do planeta usaremos ou deixaremos de usar em nossos computadores num futuro muito próximo. Nestes locais pode-se encontrar gente muito jovem e trabalhadora como Jomar Silva, Alexandre Oliva, César Taurion, Rubens Queiroz entre muitos outros, mas também encontra-se gente muito velhaca e mal-intencionada. Acompanhando os posts sobre a guerra de bastidores entre os padrões ODF e OpenXML no blog do Jomar Silva, começamos a entender por que as coisas são do jeito que são, e também começamos a entender por que as pessoas são manipuladas a tal ponto, que defendem cegamente uma corja de sacanas, cujo único objetivo é manter seus lucros e de seus patrões o maior tempo possível no ponto mais alto possível.

Só para dar um exemplo, vou transcrever aqui dois posts do Jomar Silva sobre a guerra do ODF x OpenXML e espero que quem tiver o interesse de ler, divulgue e esclareça para as pessoas comuns, o quanto elas são manipuladas e usadas como massa de manobra o tempo todo, mesmo que não saibam.

O primeiro texto pode ser encontrado aqui:  http://homembit.com/2009/07/a-area-cinzenta-do-odf.html

O segundo texto pode ser encontrado aqui: http://homembit.com/2009/10/openxml-quem-enganou-quem.html

É de deixar qualquer cidadão com um mínimo de consciência revoltado até o tutano do osso.

Texto 1:

A área cinzenta do ODF

July 29th, 2009

Não, o título acima não se refere a uma parte qualquer da especificação, mas ao “ecossistema” que está formado em torno do ODF nos dias de hoje. Há dois anos atrás, quando o assunto era ODF, existiam apenas três tipos de pessoas no mundo:

1 – As que não conheciam o ODF.

2 – As que eram favoráveis ao ODF.

3 – As que eram contrárias ao ODF.

Era muito fácil conhecer cada um dos tipos, e vivíamos numa época conturbada, mas de ações claras e transparentes. Sabíamos quem era quem.

Hoje em dia, as três categorias acima estão praticamente reduzidas a duas:

1 – As que não conhecem o ODF.

2 – As que são favoráveis ao ODF.

A terceira categoria morreu ? … Mais ou menos.

Com o crescimento na adoção internacional do padrão ODF, está se tornando cada vez mais politicamente incorreto ser contra o padrão e por isso, todas aquelas pessoas que tanto fizeram para atrapalhar a adoção, divulgação e desenvolvimento do padrão, hoje se apresentam como “parceiros do ODF” ou “apoiadores do ODF”.

Na verdade, são lobo em pele de cordeiro, trabalhando sorrateiramente para cumprir a mesma agenda (agora oculta), só que do lado de dentro, sem levantar muitas suspeitas dos mais novos e ingênuos na área.

Com isso, tenho sido obrigado a ver estes caras participando de listas de discussão sobre ODF, quer sejam elas de usuários ou desenvolvedores de aplicações, desenvolvendo aplicações de validação e suporte ao ODF e pasmem, até participando (ou tentando participar) do ODF TC.

Nas listas de discussões, o que mais me irrita é a quantidade de vezes que eles utilizam os mesmos argumentos já ultrapassados, copiando e colando uma quantidade gigantesca de texto inútil de uma lista para outra. O pior é que isso toma um tempo enorme das pessoas que realmente trabalham pelo ODF, pois a quantidade de FUD que esse pessoal espalha é assustadora. São a indústria da desinformação.

Para ser honesto, existe uma pessoa em particular dentro deste grupo que se estivesse aqui no Brasil, a comunidade já tinha dado um jeito nele: seria banido. Esse cara é tão chato, mas tão chato que chega a repetir os mesmos argumentos estúpidos e infundados há mais de três anos e ainda tem muita gente que acredita que ele está falando coisa com coisa… sempre o mesmo “copiar e colar”, lista após lista.

Se vocês quiserem um exemplo do tipo de coisa que essa turma é capaz, deem uma olhada na entrada do ODF na Wikipedia (em inglês). Há pouco tempo atrás, era uma importante fonte de informação para o padrão, além de ter a lista mais atualizada que eu conhecia das aplicações que o suportavam. Durante algum tempo, eu ajudei a manter o verbete e coloquei lá todas as informações iniciais sobre adoções de ODF no mundo todo, e perdi alguns dias para coletar, organizar e formatar toda a informação.

Agora, a entrada está completamente detonada.

O primeiro ataque removeu toda a lista de aplicações e a resumiu a uma ridícula lista de seis suítes de escritório, estranhamente incluindo o Microsoft Office (versão antigas via plug-in do Codeplex e versão nova via SP2). Na definição da norma, diziam que o ODF era parecido com o OpenXML. Na lista de adoções que eu tanto trabalhei para montar, deram um jeito de enfiar OpenXML em uma meia dúzia de países, nem que fosse com absurdos como “no documento o OpenXML é citado”… quem será que teria interesse em uma coisas dessas ?

Durante alguns dias, eu até tentei entrar lá e arrumar os estragos que estavam fazendo mas na boa, não tenho mais idade para brincar de gato e rato com delinquente… Se querem a Wikipedia bagunçada, que a tenham, para que fique claro que o jogo deles é sujo mesmo !!! (e o mesmo vale para a entrada sobre a ODF Alliance, que sofre do mesmo problema).

Me dá pena ver agora na Wikipedia a mensagem de que “aparentemente existe um conflito de interesses” com as contribuições ao artigo… não somos todos favoráveis ao ODF ???

É isso que eles querem… confundir, iludir, atrapalhar, retardar… ajudar a dar errado !!! E que isso sirva de lição e de prova para todos aqueles que acham que já está tudo resolvido !!!

Quando me preparava para escrever este post, elaborei a lista completa com os nomes, endereços de e-mail, blogs, sites e em alguns casos empresas de cada um dos “operários da área cinzenta” que já consegui identificar. Com a ajuda de alguns amigos de confiança do mundo todo, preparei ainda uma coletânea de informações que comprovam o passado questionável e não tão distante dessas pessoas.

Como eu acredito que uma boa conversa é sempre primordial antes de uma atitude mais enérgica, resolvi escrever este post para lhes dar um sincero aviso:

“Eu sei quem vocês são, onde vocês estão, com quem se relacionam, de onde vieram e o que vocês estão tentando fazer.

Não me forcem a divulgar tudo isso aqui neste blog, pois a capacidade de cruzamento de informações que teremos a partir daí pode lhes desmascarar de uma vez por todas… e desmascarar ainda quem está por trás de tudo isso.

Respeitem o ODF e quem trabalha honestamente para seu desenvolvimento e divulgação.

Não testem a minha paciência. Com vocês ela é inexistente !

Parem de brincar com coisa séria, e saiam logo desta zona cinzenta (podem voltar para a oposição… eu não me importo com vocês).”

Antes que alguém fique “tendo ideias”, saiba que estas informações que tenho estão salvaguardadas com amigos fieis em diversos países do mundo.

Texto 2:

OpenXML: Quem enganou quem ?

October 14th, 2009

Comecei hoje a desgastante tarefa de ler as correções e emendas ao OpenXML que serão votadas na ISO nos próximos dois meses, e me com isso acabei me lembrando de uma pergunta crucial ainda sem resposta sobre o OpenXML: Quem enganou quem ?Há mais de dois meses foi divulgado o processo que a Microsoft perdeu sobre violação de patentes no OpenXML (o caso i4i). Há quase dois meses, foi publicado um excelente artigo no Groklaw sobre o tema, mas até agora eu não vi nenhuma explicação por parte dos envolvidos, então resolvi escrever este post para explicar com detalhes o que aconteceu, na esperança de que os envolvidos tenham um pingo de decência, caráter e dignidade para responder.

Acho que esta é uma excelente oportunidade para lembrar aos responsáveis pela ISO/IEC, que tudo o que vou relatar ocorreu em um mundo G-8, em que os países que apelaram contra o OpenXML não faziam “parte do grupo”. Hoje vivemos no mundo do G-20 e este é um excelente momento para os senhores demonstrarem que possuem a capacidade readequar suas instituições á nova realidade Internacional. Há um ano, vocês optaram por simplesmente ignoraram os apelos feitos por países em desenvolvimento.

Vamos lembrar da cronologia dos fatos:

Em Março de 2007, a empresa i4i apresenta uma queixa contra a Microsoft sobre violação de patente no OpenXML aos tribunais americanos. Nesta mesma época, o ECMA já estava iniciando seu explicatório dentro do SC34, tentando justificar que o Fast Track (6 meses de prazo) era adequado para a avaliação do OpenXML (mais de 6 mil páginas de especificação). Esta fase do processo ficou conhecida como a fase dos contraditórios.

O tempo passou, o Fast Track foi aceito e o litígio “i4i vs Microsoft” caminhou na justiça. A votação do OpenXML aconteceu e como já era esperado, a especificação foi REJEITADA por ampla maioria no JTC1, e a decisão se amparava em mais de 3 mil problemas técnicos identificados.

O BRM (Ballot Resolution Meeting) foi então convocado, e confesso que até hoje eu não entendo qual era a intenção de quem decidiu convocar esta reunião: Discutir mais de 3 mil problemas técnicos em 5 dias é humanamente impossível (e qualquer cidadão de bem, com sanidade mental e o mínimo de respeito e vergonha na cara percebe isso).

Foi definido também o coordenador do BRM, Alex Brown (que aliás teve papel crucial no resultado final do OpenXML, mas isso é assunto para outro post, pois ainda não revelei tudo o que vi em Genebra), e ele publica em seu blog um FAQ sobre as regras do BRM. Este FAQ circulou ainda como documento oficial da ISO e pode ser lido aqui.

Olhem o que está escrito neste documento:

4.1 Problemas relacionados com Direitos de Propriedade Intelectual serão discutidos no BRM ?

Não. Problemas referentes a Direitos de Propriedade intelectual neste processo são de domínio exclusivo do ITTF. Estes problemas foram previamente delegados por TODOS os membros da ISO e do IEC (NBs) aos CEOs da ISO e do IEC e estes por sua vez, examinaram-os e não encontraram problemas. NBs buscando se certificar disso, devem procurar outros caminhos que não o BRM.

Em outras palavras, os CEOs da ISO e do IEC (autoridades máximas das duas entidades) já haviam avaliado as questões de propriedade intelectual sobre o OpenXML e não encontraram nada, e por isso nenhum comitê no mundo todo precisava se preocupar com a questão… Me lembro de ter questionado esta informação algumas vezes, e a resposta foi sempre a mesma: “Garoto, você está duvidando dos CEOs da ISO e do IEC ?”… e o processo da i4i… como fica ?

Para “não duvidar dos CEOs da ISO e do IEC”, a única explicação que tenho para este fato é a seguinte:

“Houve uma conspiração entre ECMA e Microsoft para omitirem da ISO/IEC o processo da i4i, pois se este processo fosse de conhecimento da ISO/IEC e dos NBs, não tenho dúvidas que o Fast Track do OpenXML seria, no mínimo, suspenso.”

É impossível acreditar que a Microsoft, que possui os advogados mais caros do mundo, não sabia do processo que sofria (há mais de um ano na época do BRM).

Grande parte dos delegados do ECMA que conheci são funcionários da Microsoft ou parceiros de negócio da empresa. Este pessoal pode ser tudo, menos “desinformados” e por isso, não consigo acreditar que o ECMA não sabia do processo.

Por isso, troco a pergunta feita no Groklaw há quase dois meses por uma mais direta: Quem enganou quem ?

Que todos os NBs do mundo foram enganados, que os países viram seus nomes usados de forma inescrupulosa e que todos os delegados técnicos sérios e competentes foram feitos de idiota, já sabemos.

Espero realmente que as partes citadas se manifestem e respondam a toda a sociedade. Não vivemos mais num mundo onde absurdos como este podem ser aceitos, e não vou parar enquanto não encontrar uma resposta (e sei que não estou sozinho nessa busca).

Gostaria ainda de saber da ISO/IEC o que eles têm a dizer sobre tudo isso. Eles sabiam ou não do processo da i4i ?

Mais uma vez, faço um apelo aos CEOs da ISO e do IEC: O G-20 é uma realidade, e nunca é tarde para corrigir uma injustiça !

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