O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Uma breve análise do Linux Mint 8 ‘Helena’

Posted by Paulo em 02/03/2010

Via Guia do Hardware: http://www.guiadohardware.net/artigos/linux-mint-helena/

O Linux Mint é uma distribuição baseada no Ubuntu que visa oferecer uma solução para desktops mais completa, elegante e amigável a seus usuários. Para isso, o projeto oferece codecs multimídia, suporte a Flash e Java pré-instalados e alguns aplicativos personalizados. O Mint, de autoria de Clement Lefebvre, tem atraído muita atenção nos últimos três anos. Algumas pessoas estão muito satisfeitas com o produto e abastecem o projeto um constante fluxo de doações , enquanto outras fazem pouco dele, alegando que o Mint é só um Ubuntu com codecs adicionais e um tema diferente. Fazia mais de um ano desde a última vez em que experimentei o Mint, e decidi ver o que o projeto tem a oferecer hoje. Antes de começar os testes com o Mint, tive a oportunidade de trocar emails com Clement Lefebvre (foto à direita) sobre a criação da distro…

Jesse Smith
02/03/2010

Taking a look at Linux Mint 8 “Helena”
Autor original: Jesse Smith
Publicado originalmente no:
distrowatch.com
Tradução: Roberto Bechtlufft

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O Linux Mint é uma distribuição baseada no Ubuntu que visa oferecer uma solução para desktops mais completa, elegante e amigável a seus usuários. Para isso, o projeto oferece codecs multimídia, suporte a Flash e Java pré-instalados e alguns aplicativos personalizados. O Mint, de autoria de Clement Lefebvre, tem atraído muita atenção nos últimos três anos. Algumas pessoas estão muito satisfeitas com o produto e abastecem o projeto um constante fluxo de doações , enquanto outras fazem pouco dele, alegando que o Mint é só um Ubuntu com codecs adicionais e um tema diferente. Fazia mais de um ano desde a última vez em que experimentei o Mint, e decidi ver o que o projeto tem a oferecer hoje. Antes de começar os testes com o Mint, tive a oportunidade de trocar emails com Clement Lefebvre (foto à direita) sobre a criação da distro…

* * * * *

DW: Quais são as novidades do Mint 8? Quais são os novos recursos dos quais as pessoas irão desfrutar no Helena?

    CL: Nós atendemos a muitas das solicitações que recebemos após o lançamento do Linux Mint 7, e algumas das mudanças que fizemos se mostraram muito populares entre nossos usuários. O Gerenciador de Atualizações agora permite que você ignore atualizações de pacotes específicos. Mantemos a associação de níveis a cada pacote, e somada a isso a nova funcionalidade dá muito mais poder ao usuário. Nós também melhoramos muitos aspectos do gerenciador de software e implementamos várias pequenas coisas para tornar o sistema mais confortável de usar.

DW: Um comentário que sempre aparece no fórum do DistroWatch é o de que o Mint usa o repositório do Ubuntu, e não um repositório próprio. Você poderia explicar por que isso acontece, e se há planos para o desenvolvimento de repositórios próprios? Sei que o Mint tem um pequeno repositório de cerca de 440 pacotes.

    CL: O Linux Mint não é apenas baseado no Ubuntu, é totalmente compatível com ele. Ao contrário do que a Canonical faz com o Debian, nós não criamos um fork dos repositórios do Ubuntu ou quebramos a compatibilidade com a nossa distribuição base. Usamos as suas tecnologias para aproveitar ao máximo o nosso pacote básico, permanecendo independentes nas nossas escolhas e nas mudanças que queremos implementar: o APT Pinning (com o APT, velho conhecido dos usuários do Debian) e outros ajustes (com nossa própria tecnologia). Quando queremos que alguma coisa aja de maneira diferente do Ubuntu, podemos optar por manter o pacote ou dizer dinamicamente ao nosso sistema para realizar as mudanças de que necessitamos. Nosso repositório tem prioridade maior do que a dos outros, garantindo que os usuários do Linux Mint escolham as versões que nós mantemos, e não as provenientes do upstream.

    Desenvolver nossos próprios repositórios é um trabalho enorme. Se você olhar para as muitas distribuições no mercado, vai perceber que pouquíssimos projetos têm os recursos para manter os seus próprios pacotes e desenvolver inovações regularmente. Só consigo pensar em poucas distros que façam isso, e todas são patrocinadas por empresas, usando um modelo de negócios que geralmente exige que elas mudem o foco, fugindo do que realmente importa para os usuários domésticos e partindo para atividades mais lucrativas, como o suporte corporativo.

    É claro que seríamos mais independentes se tivéssemos nossos próprios repositórios. Pessoalmente, gostaria de desacelerar as coisas e ser mais conservador na base do sistema e na parte de detecção de hardware, para garantir uma maior coerência e menos regressões a cada nova versão, mas estamos mais do que felizes com o que o upstream vem fazendo, seja oriundo de projetos como o GNOME, o KDE, o time do kernel do Linux ou mesmo de distribuições como o Debian ou o Ubuntu. A cada seis meses os nossos recursos próprios brilham, coroando uma grande quantidade de melhorias vindas do upstream, e o resultado é fantástico. Se a nossa meta é chegar a um desktop perfeito, então só vamos introduzir mudanças quando acharmos que podemos fazer melhor. Ainda há muito a fazer para melhorar o desktop, e ainda não é o momento de desviarmos o foco disso. Deixamos o sistema com os projetos do upstream e não vemos necessidade de introduzir alterações nesse aspecto.

    Quanto ao que queremos mudar, o APT Pinning e nosso sistema de ajustes nos dão a flexibilidade de que precisamos. Com eles, não precisamos duplicar ou aplicar patches em todos os pacotes em um repositório separado.

    Com relação à carga imposta aos servidores, tanto o Linux Mint quanto o Ubuntu são projetos maduros com redes de mirrors. Para a distribuição, ter uma rede de hosts de mirrors é muito importante. isso torna mais fácil para as pessoas fazer o download e usar o sistema operacional, reduz a carga em cada servidor e melhora o desempenho global para cada usuário. Quanto aos mirrors, isso também é muito importante, já que uma vez que eles tenham os recursos hospedados localmente, passam a poder oferecê-los facilmente à sua própria audiência. Vamos usar um provedor de internet nacional como exemplo. Se muitas pessoas no país baixarem e usarem o Linux Mint, isso vai usar uma banda significativa e gerar muitos pedidos do país para os nossos servidores na Alemanha ou para os servidores do Ubuntu nos E.U.A. É do interesse do provedor de internet criar um mirror do Ubuntu e do Mint para que os usuários locais encontrem os mesmos recursos localmente. Para as distribuições, isso significa menos coisas para se preocupar. Para os usuários, significa servidores locais, para o ISP significa menos pedidos de saída.

    Gostaria de poder responder à pergunta mais rapidamente, mas há muito a dizer sobre a estratégia de hospedagem. Para resumir, não há nenhuma vantagem real em manter nossos próprios repositórios no momento, já que isso não representa qualquer problema significativo quando se trata da carga imposta ao servidor ou da nossa independência como uma distribuição, sem falar que exigiria muito trabalho, atenção e foco, que inevitavelmente nos afastariam do que mais importa: é necessário melhorar o ambiente de trabalho.

DW: O site do Mint deixa muito claro que o projeto é baseado no Ubuntu e, por sua vez, no Debian. Quando você começou com o Mint, houve qualquer tentativa de trabalhar mais na própria comunidade do Ubuntu? Ou desde o início a ideia era faz uma distro própria?

    CL: O projeto foi independente desde o início e, embora o sistema tecnicamente se qualifique como uma variante do Ubuntu (já que o Mint é compatível com ele, e que o sistema básico é quase o mesmo), a distribuição em si, em termos de direção, a estrutura e as formas de trabalho são completamente diferentes. Nós consideramos o Ubuntu como um componente do upstream, e por mais proeminente que ele seja no resultado final, ainda o consideramos como uma parte, que pode ser alterada, modificada, atualizada e configurada para se adequar ao Mint. Da mesma forma que estamos empenhados em utilizar o GNOME como o nosso desktop, estamos empenhados em utilizar o Ubuntu como nossa base de pacotes, e a razão para isso é simples: são esses componentes que nos rendem os melhores resultados para fazer nosso trabalho. Isso não significa que não estejamos de olho em outras fontes. Estamos sempre experimentando desktops diferentes, especialmente as edições da comunidade com o KDE, o Xfce ou o Fluxbox. E também estamos interessados em portar nossa tecnologia para outras bases de pacotes, como o Debian (para o qual há um projeto nos planos) e o Fedora. Devido à complexidade desses projetos, estamos focados em nossa tarefa principal, não estamos ativamente envolvidos no trabalho com eles ou no desenvolvimento de nosso próprio ambiente de trabalho ou base de pacotes.

DW: Seu site oferece pacotes de suporte profissional a preços razoáveis. Você tem clientes no serviço de suporte? Se tiver, eles são na maioria domésticos ou corporativos?

    CL: Temos um número muito pequeno de clientes e a maioria deles está nos lares e pequenas empresas. Custamos caro em comparação com a Canonical, a Mandriva ou outras empresas de suporte no mercado de Linux, e isso ocorre porque o suporte é dado pela própria equipe de desenvolvimento. Também temos muito cuidado nessa questão do suporte porque queremos manter o foco na distribuição em si, e não em atividades comerciais que girem em torno dela. Nosso modelo de negócios é extremamente light e muito eficiente. Nós somos financiados pela nossa base de usuários e pela atividade online que ela gera, que nos permite ser bem sucedidos sem nos preocuparmos se o que estamos fazendo é lucrativo.

DW: O Mint parece ideal para uso doméstico. Quais de seus recursos oferecem atrativos para as empresas?

    CL: Ele é robusto, previsível, moderno, confortável e eficiente — todos os motivos pelos quais você gostaria de usá-lo em casa também contribuem para que ele seja uma estação de trabalho ideal. Ele é bastante popular entre pequenas e médias empresas. Só que nosso projeto é pequeno, e não tem independência, estratégias de longo prazo, marketing, relações públicas e estruturas de suporte. Por essas razões, o Mint não apela a grandes empresas, onde a Red Hat, a Novell e, em menor medida, a Mandriva e a Canonical são as soluções mais viáveis.

DW: Há uma grande quantidade de aplicativos no CD. Você usa algum método especial de compactação para encaixar tudo nele?

    CL: Sim, o live CD é compactado com o squashfs. Há cerca de 2,5 GB compactados dentro desses 700 MB 🙂

DW: E para o futuro? O que vamos ver no Mint versão 9?

    CL: É um pouco cedo demais para que eu fale sobre isso, mas estamos planejando duas novidades significativas — um site da comunidade com um banco de dados de hardware, ideias (semelhante ao Brainstorm), blogs, redes sociais, suporte, portal de software e muitos outros recursos . E uma completa reescrita do nosso gerenciador de software. Desta vez queremos que ele seja centrado em pacotes (esperamos que ele substitua o Synaptic), com mais de 30.000 pacotes, análises de usuários, combinando o melhor do mintInstall atual, do instalador de aplicativos do GNOME e do Centro de Software do Ubuntu.

DW: Quer fazer mais algum comentário?

    CL: Estamos nos divertindo muito fazendo o Linux Mint. Seja integrando projetos do upstream, implementando nossas próprias ideias ou interagindo com a comunidade, é sempre divertido. E é um prazer para nós ver as pessoas se animando com o que fazemos e os usuários satisfeitos com os nossos lançamentos. E há muito mais além do Linux Mint, tantas distribuições para baixar e experimentar, tantos outros aplicativos para instalar, há um mundo de diversão para todos os gostos. Acho que essa é a beleza do código aberto, essa energia e a forma como é fácil para os desenvolvedores trabalhar em cima do que já foi feito; é tudo muito empolgante. Espero que isso dure muito. Há também questões importantes a serem abordadas e conflitos a serem resolvidos quando se trata de software livre e de código aberto e não podemos evitá-los, mas a todas as pessoas que nos trazem alegria e emoção e que ajudam a fazer com que o Linux continue seguindo em frente, eu gostaria de dizer obrigado. Esse é o aspecto mais importante de todos e é por isso que estamos aqui.

DW: Clem, muito obrigado por arranjar tempo na sua agenda cheia para responder às nossas perguntas.

* * * * *

O Linux Mint está disponível em cinco versões diferentes, dependendo das necessidades do usuário. A edição principal é um live CD do GNOME para computadores de 32 e 64 bits. Há uma edição “Universal”, que remove alguns programas para que o produto possa ser distribuído legalmente em todo o mundo e que inclui pacotes de idiomas adicionais. Para fechar as opções, há edições com o KDE e o Fluxbox. As imagens de disco podem ser baixadas gratuitamente no site do projeto ou compradas por uma pequena taxa de 10 dólares. Enquanto baixava minha cópia da edição principal, dei uma olhada no site do Mint.

O site da distribuição é fácil de navegar, com menus claros e muitas informações úteis. Além das páginas de download e doações, há também um Wiki que contém muita informação útil, tutoriais e perguntas frequentes. Há um fórum para as pessoas que querem conversar, compartilhar experiências e fazer perguntas. Há links para análises, um blog do projeto e uma página de contato para quem quer falar diretamente com os desenvolvedores. A equipe do Mint também oferece contratos de suporte profissional a um preço razoável. Uma das características mais impressionantes do site talvez seja o portal de software do projeto. O Mint tem um pequeno repositório de software de 438 pacotes pelo qual o usuário pode navegar por nome, por categoria e por popularidade. Os usuários podem baixar os pacotes e instalá-los com apenas um clique. Além disso, o usuário pode fazer login para postar análises do software e avaliá-los, ajudando futuros utilizadores a encontrarem o que precisam. Alguns dos módulos de software que me chamaram a atenção foram World of Goo (demo), Opera e Google Earth.

Depois de baixar e gravar a imagem de CD mais recente, fui testar o Mint 8, codinome “Helena”. O disco começa mostrando um menu verde do GRUB que oferece algumas opções. O usuário pode iniciar o live desktop do Linux Mint, iniciar o Mint em Modo de Compatibilidade ou disparar o modo OEM. A opção OEM inicia o instalador sem inicializar o live desktop, enquanto o modo de compatibilidade tenta executar o desktop com o driver gráfico VESA habilitado e a APCI desativada. A opção padrão leva o usuário a uma edição “Cidade das Esmeraldas” do GNOME, com o menu de aplicativos e a barra de tarefas na parte inferior da tela. Há alguns ícones para explorar o sistema de arquivos e um lançador para o instalador do sistema no canto superior esquerdo do desktop.

O instalador conduz o usuário através das etapas habituais de seleção de idioma, fuso horário e layout do teclado. Quando chegamos ao gerenciador de partições, há três opções disponíveis para o usuário. O sistema pode ocupar todo o disco, tentar instalar o Mint lado a lado com qualquer outro sistema operacional na unidade, ou o usuário pode organizar manualmente as partições. O gerenciador de partições manual é bastante simples, dando ao usuário a capacidade de definir tamanho, formato e ponto de montagem de cada partição. O instalador suporta os sistemas de arquivos mais comuns, incluindo ext4, ext3, ext2, JFS, XFS e ReiserFS. A única coisa da qual senti falta foi da capacidade de criptografar uma partição inteira, mas é possível criptografar diretórios home individuais. Na etapa seguinte, o instalador pede ao usuário que crie uma conta e uma senha. A tela final oferece a opção de configurar o gerenciador de inicialização e, em seguida o instalador começa a cópia dos arquivos necessários.

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Linux Mint 8 — o instalador do sistema se apresenta

Quando você inicializa o Mint a partir do disco rígido pela primeira vez, não há nenhuma configuração adicional, o usuário é levado diretamente a uma tela de login. Uma vez conectado, ele é apresentado a uma janela de boas-vindas, com links úteis. Esses links direcionam o usuário para o manual da distribuição, o fórum e as notas de lançamento. Também há um link que conecta o usuário à sala de IRC do Mint, onde os membros da comunidade podem prestar assistência. Também notei um ícone de cadeado na bandeja do sistema. Esse ícone muda, dependendo de haver ou não atualizações disponíveis, e oferece uma maneira sutil de fazer com que os usuários tomem conhecimento de seu estado de atualização. Felizmente o programa não incomoda o usuário se for ignorado, um hábito que não é comum nas outras distribuições.

Embora ocupe apenas 2,5 GB de espaço no disco rígido, o Mint vem cheio de softwares úteis. O menu de aplicativos tem gravador de CD, editor de texto, calculadora, utilitário de pesquisa de arquivos, GIMP, OpenOffice.org, Firefox, Thunderbird, Gaim, um cliente BitTorrent, cliente IRC, player de vídeo, player de áudio, uma ferramenta de informações do sistema e alguns aplicativos para transferência de arquivos. O Mint também inclui o GCC para desenvolvedores, codecs multimídia populares, Flash, um aplicativo para backups e Java. Para fazer ajustes no sistema, existem ferramentas para personalizar a aparência do desktop, gerenciar impressoras, configurar o firewall e usar drivers wireless do Windows, dois gerenciadores de pacotes e um programa de atualização. Todas estas ferramentas de configuração do sistema podem ser acessadas separadamente ou através do Centro de Controle tudo-em-um do Mint.

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Linux Mint 8 — usando recursos no centro de controle

E falando em software, vamos conhecer os dois gerenciadores de pacotes oferecidos pelo Mint. O primeiro é o Synaptic, que deve ser familiar a qualquer pessoa que tenha utilizado o Debian, o Ubuntu ou outros membros dessa família. Categorias de software são exibidas no lado esquerdo da janela e os (muitas vezes enigmáticos) nomes dos pacotes e suas descrições são exibidos à direita. O Mint usa os repositórios do Ubuntu, tendo mais de 28.000 pacotes. O outro programa é o mintInstall, que é próprio do Mint e tem um aspecto semelhante ao do Synaptic, com algumas diferenças importantes. A principal é que o mintInstall se conecta ao pequeno repositório de 438 pacotes do Mint. As categorias são organizadas de uma forma mais intuitiva, e a cada programa disponível é dada uma classificação de popularidade. Se quiser, clique em um pacote para exibir uma imagem do programa desejado em ação, juntamente com as análises dos usuários, semelhante à maneira como as coisas estão dispostas no site do projeto. O gerenciador de atualização também é personalizado, atuando como a ferramenta de atualização do Ubuntu, só que com um sistema de avaliação. As avaliações (que vão de 1 a 5) indicam ao usuário a importância e o grau de segurança da atualização. As atualizações críticas que foram testadas recebem classificação 1, enquanto as atualizações menos importantes ou que podem interromper a funcionalidade existente são avaliadas mais perto de 5. O usuário pode selecionar quais níveis de atualizações serão enxergados pelo sistema (o que permite esconder atualizações perigosas) e quais níveis serão selecionados para download automaticamente quando o gerenciador de atualizações for executado.

Embora grande parte do software do Mint seja o que você esperaria encontrar em seu pai, o Ubuntu, há alguns destaques que merecem ser mencionados. O aplicativo de backup, por exemplo, é uma ótima maneira de arquivar o diretório home do usuário com uns poucos cliques do mouse. A ferramenta para upload de arquivos permite que usuários criem links para computadores remotos e arrastem e soltem arquivos de sua máquina local para o servidor remoto. A combinação dessas ferramentas faz com que o usuário possa fazer backup de seus arquivos e enviar o arquivo através de uma conexão segura para outra máquina com seis cliques do mouse e nenhuma digitação, ou seja, o recurso é acessível para usuários com menos experiência técnica. O Mint também vem com o Giver, uma ferramenta de compartilhamento de arquivos que permite aos usuários transferir arquivos para outras pessoas na rede usando um simples método de apontar e clicar. Essa ferramenta pode ser muito útil em pequenos escritórios. O aplicativo gráfico de firewall do Ubuntu vem pré-instalado no Mint, o que é algo bom de se ver.

O programa Domain Blocker (bloqueador de domínio) dá ao administrador a capacidade de negar acesso a sites, o que é útil para parentes preocupados com o conteúdo acessado por seus filhos ou para pessoas que querem bloquear anúncios. O menu de aplicativos em si é uma criação incomum. Ele tenta mesclar os menus principais do GNOME (Aplicações, Locais e Sistema) a um menu de grande porte. Demorei para me habituar à nova abordagem, mas confesso que estou gostando. Dos aplicativos pré-instalados, também queria mencionar o APTonCD. Essa ferramenta dá ao usuário a capacidade de guardar todos os pacotes de software em cache em uma imagem de CD e, opcionalmente, gravá-los em disco. A vantagem disso é que uma pessoa com vários computadores para configurar pode baixar todas as atualizações disponíveis para uma máquina e então transferir as atualizações para uma unidade USB ou CD. As atualizações estarão disponíveis prontamente para as outras máquinas sem a necessidade de consumir banda para baixar os pacotes novamente. Há outras maneiras de se fazer isso, é claro, mas o APTonCD é provavelmente a opção mais fácil para os usuários finais.

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Linux Mint 8 — encontrando software e obtendo ajuda

Testei o Mint nos meus dois computadores, um desktop genérico com processador de 2,5 GHz, 2 GB de RAM e uma placa de vídeo NVIDIA e meu laptop HP dual-core de 2 GHz, 3 GB de RAM e uma placa de vídeo Intel. No que diz respeito à detecção e ao uso do meu hardware, o Mint foi perfeito. Até hoje, essa foi a única distribuição a conseguir esse resultado. As versões recentes do Fedora e do Ubuntu chegaram bem perto, mas o Mint funcionou com perfeição sem nenhuma configuração manual. Meu desktop foi configurado com a resolução desejada, o som funcionou de primeira, o touchpad do meu laptop funcionou corretamente, a webcam também, minha impressora foi detectada e o mesmo ocorreu com minha placa wireless e meu modem de internet móvel Novatel. Para ver como o Mint se sairia com menos recursos, rodei a distribuição em uma máquina virtual do VirtualBox, com quantidades variáveis de memória. O Mint respondia bem com 1024 MB de RAM, e o desempenho continuou a ser bom mesmo com 512 MB. Com menos do que isso os aplicativos ficavam lentos.

Com uma coleção tão grande de aplicativos e uma tendência à facilidade de uso, pensei que ficaria decepcionado com o Mint no quesito segurança. Mas eu estava muito enganado. A equipe do Mint caminha numa linha tênue entre dar ao usuário o que ele quer e protegê-lo. Por exemplo, ao usar o live CD, o usuário é logado no sistema como um usuário não root chamado “mint”. Esse usuário é capaz de montar discos rígidos locais e ter acesso para leitura neles, mas não para gravação, evitando a perda acidental de dados. Depois de instalado localmente, o administrador do Mint pode conceder direitos de administração ou direitos comuns de desktop aos novos usuários, ou configurá-los como usuários sem privilégios. Embora as tarefas de administração possam ser executada (por usuários com privilégios) via sudo, a conta de root também está disponível para quem quiser usá-la. Por padrão, os diretórios home dos usuários comuns são deixados em aberto para leitura de outros usuários, mas o diretório do usuário root é bloqueado. Fiquei feliz em saber que o Mint não roda a maioria dos serviços de rede por padrão, deixando o servidor SSH desabilitado, por exemplo. A exceção é o Samba, que roda com padrões razoáveis.

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Linux Mint 8 — criando um visual diferente para o Mint

No tempo em que passei usando o Mint, não vi nenhum aplicativo travar, nem recebi mensagens de erro indecifráveis. A equipe tomou o cuidado de deixar as funcionalidades acessíveis ao usuário, sem encher a paciência ou criar problemas, o que faz com o Mint seja uma distribuição amiga do usuário e proporcione uma experiência agradável. Embora o Mint atenda aos usuários iniciantes do Linux, os desenvolvedores têm tentado tornar sua distro atraente ao público mais experiente também. A instalação do GCC por padrão, por exemplo, é conveniente para os desenvolvedores. Quem não gostar do menu de aplicativos personalizado do Mint pode trocá-lo por um menu mais tradicional com alguns cliques do mouse. Se o usuário não se empolgar muito com o tema verde, pode trocá-lo em poucos segundos. Quem não gostar do gerenciador de software do Mint pode usar o popular Synaptic em seu lugar. Para os entusiastas do software livre que não querem baixar software proprietário, há a edição Universal do Mint. E embora algumas pessoas possam estar preocupadas com o peso de todos esses aplicativos adicionais, o Mint requer menos espaço no disco rígido do que o Mandriva, e só um pouco mais de espaço do que o Fedora. A equipe do Mint oferece seu produto gratuitamente, mas também oferece suporte a quem procura soluções corporativas.

O Mint não é perfeito — nenhuma distribuição ou sistema operacional é — mas ele se sai muito bem. Só tem uma coisa que quero ver no Mint: mais documentação para alguns dos aplicativos de pequeno porte, como as ferramentas de backup e de upload de arquivos e o Giver. Eles são programinhas ótimos, e acho que mais usuários se sentiriam confortáveis em usá-los se eles viessem com alguns exemplos. Tirando isso, estou muito impressionado com o Mint 8, tanto com o produto quanto com o projeto como um todo. Ele é ideal para os iniciantes no Linux e para os usuários mais experientes, que querem que seus computadores funcionem logo de cara. Na minha opinião, o sistema responde bem, é amigável e se mostra útil imediatamente. Eu recomendo fortemente que você o experimente.

Créditos a Jesse Smithdistrowatch.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

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