O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

O formato RTF ou como Conquistar o Mundo com Práticas Comerciais Desleais

Posted by Paulo em 10/04/2010

Artigo original em: http://dicas-l.com.br/dicas-l/20100406.php

Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
Data de Publicação: 06 de abril de 2010

Fazendo uma pesquisa sobre o formato RTF, descobri diversas coisas interessantes. Na disputa entre a Novell e a Microsoft, relativa às práticas desleais adotadas pela Microsoft para tirar o Wordperfect da liderança no mercado de editores de texto, é bastante educativo aprender como, através do uso de um formato supostamente aberto, o RTF, a Microsoft conseguiu desbancar o Wordperfect da liderança de mercado.

RTF (Rich Text Format) é um formato de arquivo de documento desenvolvido pela Microsoft em 1987 para permitir a troca de documentos entre plataformas computacioniais distintas. É um formato bastante disseminado e a maioria dos editores de texto modernos oferecem suporte para a leitura e criação de documentos RTF.

Com relação ao futuro do formato, tendo como fonte a Wikipedia1:

The intellectual property of the format belongs to Microsoft who maintains the format to this date; as of March 2008 it is up to version 1.9.1. Microsoft has stated in the Office 2010 resource kit documentation that starting with Office 2010, the RTF specification will not be enhanced with new features and there will be feature and document fidelity degradation when using Office 2010 and later features upon saving in RTF.

Leia o texto traduzido aqui.

Esta afirmação, embora não confirmada por outras fontes além da própria Wikipedia, sinaliza que a Microsoft não pretende realizar investimentos adicionais no formato RTF para acréscimo de novos recursos e que a versão 2010 da suíte de escritórios Microsoft Office pode não oferecer suporte completo ao formato. Para corroborar este fato, no blog oficial da equipe de desenvolvimento do software Microsoft Word 2010, ao anunciar o lançamento de uma versão revisada do formato RTF, o autor, Murray Sargent, afirma:

Sometimes it’s tricky work because the people who wrote the underlying code have left the Word team, if not Microsoft, and one has to reverse engineer a lot.

Leia o texto traduzido aqui.

Na seção de comentários da mesma página, um leitor afirma:

It’s hard to claim that RTF is a credible interoperable file format when you note that sometimes people had to read the MS Word source code to understand some things… too bad if you were a competitor that didn’t have access to the Word sources.

Leia o texto traduzido aqui.

Embora seja um formato declarado aberto, investimentos futuros em seu desenvolvimento, dependem em grande parte do desejo da Microsoft e muitas das informações necessárias para tal podem estar fora do alcance dos desenvolvedores em geral.

No documento intitulado The Novell Antitrust Complaint (as text) & A Law About Antitrust and Standards Writing, estão reunidos diversos documentos públicos relativos ao contencioso entre as empresasescritório. Os itens reproduzidos a seguir relatam as ações desenvolvidas pela Microsoft em relação ao formato RTF, cujas especificações foram deliberadamente retidas de forma a favorecer a ampliação de mercado de seu próprio editor de textos, Microsoft Word. Microsoft e Novell, no tocante às ações desenvolvidas pela Microsoft visando obter o domínio do mercado de aplicativos de

90. Third, Microsoft unilaterally made the proprietary Rich Text Format (“RTF”) of Microsoft Word the standard file format for text-based documents in applications developed for Windows. Upon capturing the standard, Microsoft strategically withheld the specification to injure competitors, including Novell.

Leia o texto traduzido aqui.

91. As Microsoft knew, a truly standard file format that was open to all ISVs would have enhanced competition in the market for word processing applications, because such a standard allows the exchange of text files between different word processing applications used by different customers. A user wishing to exchange a text file with a second user running a different word processing application could simply convert his file to the standard format, and the second user then could convert the file from the standard format into his own word processor’s format. Thus, a law firm, for instance, could continue to use WordPerfect (which was the favorite word processor of the legal profession), so long as it could convert and edit client documents created in Microsoft Word, if that is what clients happened to use. Microsoft knew that if it controlled the convertibility of documents through its control of the RTF standard, then Microsoft would be able to exclude competing word processing applications from the market and force customers to adopt Microsoft Word, as it soon did.

Leia o texto traduzido aqui.

92. The specifications for RTF were readily available to Microsoft’s applications developers, because RTF was the format they themselves developed for Microsoft’s office productivity applications. Microsoft withheld the RTF specifications from Novell, however, forcing Novell to engage in a perpetual, costly effort to comply with a critical “industry standard that was, in reality, nothing more than the preference of its chief competitor, Word. Indeed, whenever Word changed its own file format, Microsoft unilaterally and identically changed the RTF standard for Windows, forcing Novell and other ISVs constantly to redevelop their applications. In this manner, Microsoft gave Word a permanent, insurmountable lead in time-to-market, and made document conversions difficult for users otherwise interested in running non-Microsoft applications. Many WordPerfect users were thus forced to switch to Microsoft Word, which predictably monopolized the word processing market.

Leia o texto traduzido aqui.

A prática de se mudar as especificações de formatos, mesmo aqueles supostamente abertos, como o RTF, tem sido utilizada com frequência pela empresa Microsoft para ampliar sua fatia de mercado com a eliminação da concorrência.

Nós estamos vendo esta mesma prática agora, com uma nova roupagem, o formato supostamente aberto, OOXML e os infames documentos no formato docx, xlsx, pptx, etc. Se temos algo a aprender com o passado, certamente precisamos tomar cuidado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: