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Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Linux: Desbancando o mito do 1%

Posted by Paulo em 27/09/2010

Interessante artigo de Caitlyn Martin, publicada na O’Reilly, em 7 de Setembro.

Artigo original em Inglês em: http://broadcast.oreilly.com/2010/09/debunking-the-1-myth.html

Desbancando o mito do 1%
Por Caitlyn Martin, 7 de Setembro de 2010

“Nada é tão absurdo. Se você repetir com a frequência suficiente, as pessoas acreditarão.” –William James

Parece que, quase todos os dias, alguém na imprensa, ou num fórum de tecnologia, alega que a adoção do Linux em Desktops (incluindo laptops) é insignificante. O número apregoado fica em torno de 1%. Essas alegações são também repetidas por pessoas que defendem o uso do Linux. Ambas as ideias, de que a fatia de mercado do Linux nos desktops seja insignificante, e a figura do 1% são simplesmente falsas, e têm sido já há vários anos.

A fatia de mercado do Linux não é pequena. O Linux e o UNIX possuem a maior parte do mercado de servidores por mais de uma década. O Linux é muito competitivo embarcado em dispositivos. E também está fazendo um grande estardalhaço no mercado de desktops corporativos e residenciais, o que inclui laptops, notebooks e netbooks.

Vamos começar com os netbooks, a área onde o Linux fez as maiores incursões. De acordo com a ABI Research, o Linux recuperou 32% do mercado de netbooks em 2009, apesar de ser quase impossível encontrá-lo nas prateleiras das lojas. O número não inclui máquinas vendidas com dual boot, com Windows e Linux. Nesses sistemas o Windows ainda é considerado como o sistema operacional principal.

A Dell também informou que quase um terço das vendas de netbooks em 2009 foram de sistemas com Ubuntu pre-instalado. Relatórios recentes de que não havia demanda para o Linux nos netbooks, e que a Dell estava abandonando o Linux se mostraram falsas. De fato, atualmente a Dell oferece alguns modelos de  notebooks e desktops com Ubuntu pre-instalado, além do netbook Inspiron Mini 10n.

O que os números de netbooks representam em termos das vendas gerais de desktops e laptops? De acordo com a Forrester Research, os netbooks representaram 18% do total de vendas de desktops/laptops no último ano. Se fizermos as contas na ponta do lápis, descobriremos que, devido apenas às vendas de netbooks, o Linux ganhou aproximadamente 6% do mercado de desktops em 2009. Para alcançar o número total, precisamos somar, também, os laptops maiores e desktops de empresas como Dell, HP (na sua linha de equipamentos corporativos), assim como grifes menores.

Uma confirmação adicional do crescimento da fatia de mercado do Linux no último ano veio de uma fonte incomum: Steve Ballmer, o CEO da Microsoft. Utilizando um slide para visualizar a participação de mercado dos sistemas operacionais Ballmer mostrava que a participação de mercado do Linux como sendo ligeiramente maior na pizza do que a do MacOS. Ninguém considera a Apple insignificante nos desktops, portanto, o Linux também não é. Abaixo está, em parte, o que o Sr. Ballmer tinha a dizer sobre o Linux nos desktops e sobre a competição com o Windows:

“O Linux, como vocês podem ver no slide, e a Apple têm, com certeza crescido sua participação de alguma maneira.”

[…]

“Eu acho que, dependendo da maneira como você olhar, a Apple provavelmente aumentou sua participação no último ano em torno de 1 ponto, mais ou menos. E um ponto de participação de mercado, num número que está em torno de 300 milhões é interessante. É uma marca interessante de participação de mercado, mas não necessariamente dramatica, como as pessoas costumam pensar, mas estamos muito atentos tanto na Apple, como no Linux, como competidores.”

Alguém acreditava que a Microsoft consideraria o Linux como um competidor sério se ele tivesse apenas 1% do mercado? Não faz muito sentido, não é? Todas as imagens que eu pude ver depois representavam as vendas de sistemas com sistemas operacionais pre-instalados: Windows, MacOS or Linux. Elas não representam a atual utilização de cada um deles. Se você for à uma loja de sua cidade, comprar um sistema com Windows, limpar seu HD e instalar o Linux, ele ainda conta como sendo Windows na estatística mostrada, não como Linux.

De onde esse 1% vem? De duas fontes: Contadores na Web muito antigos. O problema de se utilizar contadores na web para testar participações de mercado incertas é que, geralmente, ele somente incluem sítios que tenham pago para serem contados. Isso garante, principalmente, que o Windows terá uma contagem supervalorizada. A Ars Technica demonstrou recentemente o quanto o erro pode ser dramático num artigo a respeito da participação de mercado de navegadores. Na contagem total, eles descobriram que o Internet Explorer tinha apenas 60% do mercado, o Firefox menos de 23%, e o Chrome um pouco abaixo de 8%. As porcentagens no sítio próprio da Ars Technica foram totalmente diferentes, com o Firefox um pouco abaixo dos 38%, o Chrome com quase 22% e o Internet Explorer num distante quarto lugar, com 16.63%. O motivo para essa discrepância é bem óbvio: A Ars Technica possui leitores altamente técnicos e informados que, por sua vez, estão muito mais conscientes das questões de segurança do IE e, de longe, utilizam mais Linux e MacOS. De maneira similar, a maior parte dos sítios técnicos e dos sítios sobre Linux não pagam para serem contados por empresas de contagem na Internet que, por sua vez, apresentam números altamente favoráveis ao Windows.

Então, qual é a participação de mercado real do Linux? A melhor estimativa, através das vendas atuais, é de 8%, o que coloca o Linux um pouco atrás, ou talvez empatado com o MacOS. 8% representam 24 milhões de sistemas por ano vendidos com Linux pre-instalado. O Windows representa pelo menos 80% do mercado e ainda é um monopólio “de facto.” Entretanto, houve uma considerável erosão desse status de monopólio.

Se considerarmos a taxa de uso atual, não há, realmente, uma maneira de obter medidas confiáveis. Uma estimativa educada provavelmente colocaria o Linux  próximo dos 10%, mais ou menos o mesmo que o MacOS. Isso é muito mais do que 1% e, de maneira nenhuma, insignificante.

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