O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

O mundo das duas caras.

Posted by Paulo em 12/11/2009

Hoje li duas notícias totalmente contraditórias, que exemplificam bem como temos a tendência de falar algo, pensar outra coisa e agir de forma completamente alheia ao que dizemos e pensamos.

A primeira notícia diz respeito à posição dos empresário brasileiros com relação à posição que eles acham que o governo deve tomar na conferência mundial sobre o clima, em Copenhagen, Dinamarca. Li a notícia aqui e, basicamente, diz que os empresários brasileiros acham que o governo deveria assumir a liderança das discussões sobre as reduções de emissões de carbono, para que se torne líder e exemplo para o resto do mundo. Por trás disso, obviamente, está o lucro dessas empresas brasileiras (com muita participação estrangeira, é claro) que ganhariam com a venda de tecnologias como a dos biocombustíveis ou dos produtos gerados por elas, já que o país é bastante avançado em tecnologias limpas.

Só que esse discurso me parece mal contado, uma vez que dá a impressão de que o objetivo não é, digamos, tornar o mundo melhor, diminuindo emissões e agindo de maneira mais responsável. A intensão é ganhar dinheiro com tecnologias que o Brasil tem e que outros países não têm. O objetivo é lucrar.

Ok, ok. Alguém vai me dizer que não tem nada de mal nisso e que eu estou sendo radical, beirando ao comunismo. Desde já digo que não sou comunista, nem socialista, nem tampouco capitalista. Digamos que sou um tanto quanto realista e digo que é bem difícil me passar a lábia. E vou mostrar por que acho que estão querendo nos passar a lábia.

A outra notícia que li (aqui) foi um estudo feito por uma empresa britânica chamada Remploy que diz que 92% das empresa britânicas não reciclam computadores. Ou seja, quase todas as empresas britânicas simplesmente jogam fora computadores “antigos”, com três a cinco anos de uso, que vão direto para lixões, ou para países do terceiro mundo.

Imagino que, se isso acontece num país como a Inglaterra, no chamado primeiro mundo, na terra dos donos da verdade e do capital mundial, em paisecos como o emergente Brasil deve ser bem pior, já que sempre tomamos esses países como exemplo de como as coisas deveriam ser por aqui.

Além disso, também ouvi notícias sobre reformas na lei de meio ambiente que flexibiliza vários pontos da lei ambiental, como a reserva mínima, a área de reserva nas margens de cursos d’água e perdoa infratores que tiveram mais de dez anos de “chance” para se adequarem à normas ambientais, e agora reclamam que não tiveram tempo. Tudo isso articulado pela bancada ruralista no congresso, cujos interesses detêm 80% das terras brasileiras, mas só produzem soja, cana-de-açúcar, e gado, basicamente. Serão esses os empresários que apóiam a liderança do Brasil na conferência mundial?

Até onde sei, o feijão, o arroz, o tomate e o alface que comemos diariamente, não vêm de grandes propriedades rurais, e sim de pequenos produtores. Serão esses que apóiam essa posição do Brasil?

Há também o caso de uma certa empresa de mineração que tem explorado certas áreas de Minas Gerais, causando danos ambientais enormes com a anuência do governo de minas. Serão esses empresários os interessados na liderança brasileira?

Fora esses, temos as empresas de telecomunicações (estrangeiros), que sabemos bem o quanto se preocupam com nosso bem estar e segurança, montadoras automobilísticas (estrangeiras) que quando abrem suas fábricas ganham isenção (quase) vitalícia de impostos, mas quando seus lucros diminuem, são as primeiras a colocar milhares na rua.

Bancos? Será que seriam tão bonzinhos? Minhas opções estão acabando….

Então, vamos juntar os pontos: empresários que não fazem o seu dever de casa, nem se preocupam com o bem estar, nem de seus funcionários, nem de seus “consumidores” (sim, é assim que nos chamam), nem servem de exemplo pra ninguém, apóiam que o governo brasileiro use o seu, o meu, o nosso dinheiro e assuma uma posição de liderança na diminuição de emissões de carbono, para que eles ganhem dinheiro oferecendo produtos que foram desenvolvidos com tecnologia pagas pelo meu, seu, nosso dinheiro. Esqueci alguma coisa?

E não estou aqui dizendo que estão errados, nem que não deve ser feito. O que estou dizendo é que as intenções não são as mais nobres. E minha esperiência de vida diz que devo tomar cuidado com intenções ocultas.

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